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Dr. André Frare - Osteopatia Cascavel

TERAPIA MANUAL DAS DISFUNÇÕES CRANIO CERVICO FASCIAIS - Blog

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Terapia Manual nas Disfunções Crânio-Cérvico-Facial

Há um bom tempo que estudos demonstram uma possível e forte relação entre uma disfunção articular cervical superior, entre o osso Occipital e C3, para predisposição de dor na região de cabeça e pescoço.

Clinicamente, uma disfunção no segmento entre a coluna cervical inferior e a dorsal superior também podem modificar os sintomas cefálicos e faciais (Que chamamos de Charneira Cérvico-Torácica).

Tem se demonstrado que contraturas musculares nos segmentos da cervical superior (Esternocleidomastoides, Platisma, Escalenos, Trapézios) contribuem diretamente a padrões de dor referida na face e cabeça, e em termos práticos coexistem com uma disfunção miofascial e articular.

Outra relação importante é a sensibilidade da dura-máter (intoxicação do sistema nervoso, ou por desidratação ou por deficiência do sistema de auto-drenagem do terceiro e quarto ventrículo), que também é um fator contribuinte significativo para as dores cefálicas e cervical.

A união neuroanatômica entre a coluna cervical e o crânio está formada pelo nervo trigêmeo (Núcleo Trigeminocervical) e tem um significado especial quando nos referimos aos possíveis mecanismos de dor na região de cabeça e pescoço. Quando olhamos a anatomia da dura-máter, verificamos que devido a sua posição, recebe impulsos aferentes não só do nervo trigêmeo, mas também das raízes nervosas dorsais de C1 a C3, do nervo facial, nervo glossofaríngeo, e do nervo vago.

Por isso, é possível que um aumento dos impulsos aferentes que se originam nos receptores de dor das articulações cervicais superiores possa produzir sintomas em áreas que não dão lugar a estes impulsos, o qual proporciona um mecanismo mediante mudanças nas articulações cervicais, que podem precipitar sintomas na face, alterando a propriocepção e podendo levar a adaptações posturais de natureza antálgica que contribuam para uma disfunção secundária. Temos visto um crescente número de pacientes com problemas craniais e faciais de longa evolução, ou seja, crônicos.

Estes pacientes frequentemente são difíceis de tratar. O diagnóstico de dor facial atípica, bruxismo, apertamento dos dentes, se utiliza cada vez mais na profissão médica para definir os sintomas persistentes na região de cabeça e pescoço sem causas físicas. Além disso, os diagnósticos que parecem claros a princípio, como de uma cefaleia cervical está sendo questionado cada vez mais por fisioterapeutas e médicos.

A etiologia e a distribuição da dor nem sempre são tão claros como era pressuposto no passado, de modo que o avaliador não deva usar somente classificações patológicas para entender o caso do paciente. Com certeza os clínicos se enfrentam nas mesmas perguntas: Qual a causa? Qual a origem? Qual a melhor estratégia terapêutica? Ou Como devo prosseguir neste tratamento? Necessitando desta forma um raciocínio clínico mais amplo. Dentre muitas abordagens na área da fisioterapia, a Terapia Manual, destaca-se por proporcionar ao profissional uma análise mais criteriosa com ampla visão, e inúmeras estratégias terapêuticas.

O conhecimento nesta área nos leva a ter um melhor entendimento, que ao conectar as inter-relações e explorar com base na melhor ciência, tem-se um raciocínio clinico mais eficaz para o tratamento do paciente que apresenta problemas cervicais, craniais e faciais de longa evolução não diagnosticados. As bases fisiológicas e biomecânicas são fundamentais para o entendimento da Terapia Manual e de seus efeitos sobre o conjunto da unidade neuromusculoesquelética em disfunção.

Os recursos terapêuticos manuais permitem que o fisioterapeuta avalie e sinta melhor os movimentos e qualidade das técnicas aplicadas. Temos um amplo arsenal de recursos manuais endereçados às articulações, músculos, fáscia, sistema visceral, sistema vestibular, sistema vascular e inclusive ao sistema nervoso central e periférico. Além disso, o contato com o paciente permite uma melhor aliança terapêutica.

Estas técnicas apresentam efeitos mecânicos positivos e neurofisiológicos, como a analgesia, aumento da flexibilidade dos tecidos conectivos, promovem lubrificação intra-articular, entre outros.

Dentre vários recursos terapêuticos da Terapia Manual, podemos citar Maitland, Mulligan, Manipulação Neurodinâmica, Terapia Miofascial, Mobilização Articular - Kaltenborn, Mobilização Craniana, Terapia Cranio-Sacral, Quiropraxia, Pompagens, Cyriax, Mackenzie, e o principal de todos a Osteopatia e inúmeras outras. A combinação de diversas modalidades, segundo o diagnóstico fisioterápico, que pode apresentar alterações do tecido neural, tecido muscular e da biomecânica articular, amplia o prognóstico e a melhora de pacientes com disfunção crânio cervical, tais como as cefaléias, disfunção temporomandibular, nevralgias, cervicobraquialgias e outros mais. Lembrando sempre que para pacientes com dores crônicas craniofaciais onde há interação entre mecanismos centrais e periféricos, se faz necessário uma abordagem multidimensional.

“A terapia Manual vai mais além do simples ato terapêutico para solucionar um sintoma ou recuperar uma função. A terapia Manual como conceito de trabalho sobre nossos pacientes é uma arma tão próxima, tão natural e tão eficaz que é uma ferramenta, um método de atuação fisioterápico, de valor terapêutico e preventivo incalculável.”

(CAMPOS,1998) REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 1. Butler DS. The Sensitive Nervous System. 1º Ed. 2006. 2. Piekartz HV, Bryden L. Dolor y Disfunción Craneofacial. Terapia Manual, Valoración y Tratamiento. Editora Mcgraw Hill. 2006. 3. Campos GA. Terapia manual y osteopatia. Revista Iberoamericana de Fisioterapia y Kinesiologia 1998.

POR DR. ANDRÉ FRARE - FISIOTERAPEUTA OSTEOPATA - CENTRO DE TRATAMENTO DA DOR - CASCAVEL - PARANÁ - BRASIL

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